A casa era antiga, de uma madeira rústica que fazia referencia aos moradores. Uma senhora e um senhor com idades e gostos um tanto quanto apurados. Ali o tempo passava suave, as pisadas na madrugada eram macias e as risadas... Eram de se deliciar. Naquele espaço não cabiam a hipocrisia nem o constrangimento, pois se nada tinham a dizer se calavam. Se algo os incomodava, bastava uma careta. E as caretas eram tão ridiculamente agressivas que de imediato se caia na risada outra vez. É que nessa casa não existia a busca incessante pela solução de problemas que nem ao menos existiam. A vida era leve. Sabia-se plantar na horta, sabia-se cozinhar, sabia-se tomar vinho, sabia-se construir mais casas daquelas, só não sabiam cantar. Pois bem, tinham aulas matinais com pássaros. Professores naturais, na mais pura essência. E se não cantavam, assobiavam. A casa era num canto qualquer desse mundão. Mas a solidão só existia se fosse a dois, pois nem assim se largavam. Infelizmente hoje, anos depois, nem mesmo a casa ficou. A madeira antiga ainda deve existir, mas a essência dessa casa ficou nos corações desse casal de alma pura.
— Bruna Xavier
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